Olheiras: três tipos, três tratamentos.
Antes de tratar olheira, é preciso entender qual olheira você tem.
"Doutora, como eu tiro minha olheira?". Essa pergunta já entrou na minha clínica milhares de vezes. A resposta sincera é sempre a mesma: depende de que tipo de olheira você tem. E a maioria das pessoas nunca parou pra descobrir.
Tratar olheira sem saber a origem é como medicar dor de cabeça sem saber se é enxaqueca, tensional ou sinusite. Pode até aliviar, mas quase nunca resolve.
Os três tipos clássicos
1. Olheira pigmentar
É marrom, escura, localizada. Aparece por acúmulo de melanina na região periorbital — muitas vezes herdada geneticamente, potencializada por sol sem proteção, uso contínuo de maquiagem sem remoção adequada ou inflamação crônica (alergia, atrito).
O que trata: despigmentantes tópicos prescritos (hidroquinona, ácido tranexâmico, ácido kójico), protocolos de peeling leve, e — quando adequado — PDRN. Importante: fotoproteção rigorosa é metade do tratamento.
2. Olheira vascular
É arroxeada ou azulada. A pele da pálpebra inferior é a mais fina do corpo, e os vasos que passam ali aparecem por transparência. Piora com cansaço, desidratação, posição de dormir, consumo de álcool.
O que trata: preenchimento raso com ácido hialurônico (empurra a pele para frente, diminuindo a transparência), skinboosters para melhorar a qualidade do tecido, e — quando indicado — laser vascular. Hábitos de sono também entram no protocolo.
3. Olheira estrutural (sulco lacrimal)
Não é uma olheira por pigmento nem por vaso — é uma sombra criada pela depressão natural abaixo do olho. Comum em pessoas com anatomia óssea proeminente na maçã, ou com perda de gordura profunda (bichat superior) com o tempo.
O que trata: preenchimento específico do sulco lacrimal com produto adequado (baixa reticulação, aplicado profundo). É o tratamento mais transformador — quando bem feito — e também o que mais exige técnica, porque erro ali gera edema persistente.
Olheira é sintoma. O tratamento começa quando você descobre a causa, não quando você compra o creme da influencer.
Como eu diagnostico
Na consulta, uso um teste simples: peço pra paciente deitar no aparador de exame. O que muda?
- Se a olheira desaparece — é estrutural. A gravidade esconde a sombra.
- Se a olheira continua escura — é pigmentar.
- Se a olheira fica azulada em vez de marrom — é vascular.
Na maioria das pacientes, é uma combinação dos três. E aí o protocolo vira misto — uma etapa para cada camada.
A expectativa realista
Olheira tem cura? Quase sempre a resposta honesta é: olheira tem controle. Um bom protocolo pode tirar 70–90% da aparência da olheira. Tirar os 100% é raro — e quando acontece, é porque você acertou exatamente o tipo, o produto e a dose. Paciente que volta depois de meses cobrando "a olheira voltou" quase sempre parou o skincare, parou o protetor solar, voltou a dormir 4 horas por noite. O tratamento não falhou — o contexto do rosto mudou.
Antes de comprar o próximo sérum milagroso, diagnosticar o tipo da sua olheira já te economiza meses e dinheiro. E, no consultório, às vezes 0.3ml de ácido hialurônico resolve um problema que anos de creme não resolveram.
